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Uma luz sobre o futuro

Uma luz sobre o futuro

Publicado em 17/02/2014.

Participando do 18° SAP Forum Brasil realizado esta semana em SP, me deparei com uma enorme quantidade de dados demográficos e sobre as empresas e seus diferente perfis. Estes dados, integrados às brilhantes apresentações dos economistas Eduardo Gianetti da Fonseca e Mailson da Nóbrega, nos trazem algumas reflexões que se seguem.

Diariamente ocorrem (diversas) revoluções com consequências diretas em nossas vidas. Se surpreendam com estes dados apresentados no Fórum:

  • 5 bilhões de pessoas farão parte da classe média de um total de 6 bilhões em alguns anos;
  • 75% da forca de trabalho até 2030 pertencerá à geração Y;
  • 15% do PIB até 2015 será gerado pela geração Y;
  • 1.3 bilhões de usuários estarão nas redes sociais e de negócios;
  • 100 bilhões serão vendidos no varejo usando dispositivos móveis até 2017;
  • Tecnologias novas se fortalecerão: nuvem, mobilidade, redes sociais e negócios, “big data”.

Estas revoluções levam as empresas a tentarem antecipar suas consequências, o que pode ser mensurado por suas inquietudes no mercado, conforme segue:

  • 64% das pequenas e médias empresas estão penetrando em novos mercados;
  • 30% das pequenas e médias empresas gerarão entre 21% e 40% de suas receitas globalmente;
  • 80% das pequenas e médias empresas completaram ou estão em processo de grandes transformações.

Em sua apresentação “O Valor do Amanhã”, Eduardo Gianetti da Fonseca nos leva a uma viagem, dissecando os principais vetores de mudança no macro ambiente que são, segundo ele:

1) Transição demográfica, caracterizada como:

  • Força poderosa de transformação;
  • Processo lento mas violento;
  • Bônus demográfico;
  • Combinação entre o crescimento da população que triplicou 50 anos após a 2a Guerra Mundial e a queda na  taxa de fecundidade;
  • Produtividade (estoque de capital humano gerado) combinado com longevidade no tempo de vida da população.

2) Sustentabilidade:

  • Aumento médio da temperatura entre 3% a 6% em 50 anos comprometerá o sistema;
  • Sistema de preços atual não captura os efeitos e impactos ambientais. Quanto custaria o consumo de água e oxigênio? As pessoas estariam dispostas a pagar por este consumo se fosse melhorar o ambiente em que vivemos?

3) Padrões de consumo;

Robert Fogel, prêmio Nobel de economia em 1993, em um estudo, mostra a evolução e distribuição da renda de uma família mediana dos países da OECD (Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento), há 1 século atrás, quando 80% dos gastos eram realizados nos itens alimentação, vestuário e moradia e hoje, onde estes mesmos gastos, representam somente 30% do total. Educação, saúde e entretenimento cresceram exponencialmente durante este período.

Trazendo à luz da situação no Brasil de hoje, onde se gasta 62% em alimentação, vestuário e moradia, intui-se que ainda estamos em fase aguda de transformação, e que estes gastos serão reduzidos ao longo do tempo, se seguirem a tendência do estudo.

Todos os fatos acima evidenciam que, para uma empresa ser bem sucedida e ter legitimidade perante a sociedade, ela deverá entender estes vetores de mudança para criar valor socialmente reconhecido. Pensem em casos como Google, por exemplo.

Para obter esta legitimidade, dois atributos são essenciais para as empresas:

  • EFICIÊNCIA (preço e qualidade);
  • INOVAÇÃO (exclusividade);

São estes atributos, aparentemente óbvios e intuitivos, que as empresas buscam para serem legitimadas pela sociedade, segundo Eduardo Gianetti da Fonseca.

Quando ainda tentava absorver os efeitos descritos acima, fui assistir a apresentação sobre “As Perspectivas da Economia Brasileira” realizada pelo Ministro Maílson da Nóbrega (quem foi rei nunca perde a majestade). Os principais fatos descritos por ele denotam que:

  • Mundo rico se recupera; EUA continua a ser a grande potência mundial, diferente daquilo que muitos pregavam;
  • Crédito cresce em ritmo mais lento;
  • Consumo perde força;
  • Inflação acima da meta;
  • Politica fiscal de baixa credibilidade;
  • Taxa de câmbio pressionada;
  • Deficit externo reverte a piora em função dos impactos da desvalorização da taxa de câmbio beneficiando exportadores;
  • Rebaixamento do rating do Brasil é um grande risco, principalmente devido à política fiscal frouxa, inflação acima da meta e baixo investimento.

Em seguida, o Ministro apresentou as projeções de sua equipe para o ano de 2014:

  • PIB – 2,1%;
  • Juros (Taxa Selic) – 11%;
  • Taxa de Câmbio – R$ 2,45 / 1 US$;
  • Balança Comercial – 8.2 bilhões.

Sua frase derradeira, se não é estimulante, ao menos nos conforta:

“O Brasil não quebrará pois suas instituições fundamentais são sólidas!!!! Mas o crescimento do PIB será abaixo de seu potencial.”

UFA!!!!! Com tantas informações e reflexões, só nos resta trabalhar para tornar nossas empresas legítimas pois, como já dizia Albert Einstein, “o único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.”

Sobre o autor

Eduardo Beadle é economista, com MBA em Finanças e extensão em Restruturação, Fusões e Aquisições na Harvard Business School. Consultor de Gestão Empresarial com experiência em gestão e reestruturação de empresas, Conselheiro de Administração certificado, membro do IBGC e membro da TMA – Brasil, filial brasileira da Turnaround Management Association.